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Arte e Moradia – uma conciliação oportuna

Emplazamiento: R. Álvaro de Carvalho, 427 - Bela Vista, São Paulo - Brasil

Fecha de finalización:01-12-2021

Fecha de finalización (España): No procede

Tipo de obra: Ampliación, reforma o rehabilitación

Uso/s: ["Equipamiento","Espacios libres"]

Presupuesto total: 75.000 Real Brasileño

Dimensión: 600 M2

DATOS DEL EQUIPO

Autor/es: Marcelo Morettin, Vinicius Andrade, Marcelo Maia Rosa e Renata Andrulis

Promotor/es, cliente/es: 34ª Bienal de Arte de São Paulo e Movimento Sem Teto do Centro (MSTC)

Equipos técnicos: Equipe Andrade Morettin: Marcelo Maia Rosa (coord.), Renata Andrulis (coord.), Daniel Zahoul, Guilherme Torres, Izabel Sigaud, Murilo Zidan, Amanda Cunha, Ana Paula Silveira, Arthur Frensch, Gabriel Garcia, Maria Carolina Bomeny e Raquel Andrade; Equipe MSTC: Fernando Botton e Maitê Lopes Bessa; Consultoria: Miguel Marata.

Empresa constructora:

Créditos fotográficos: Vinicius Andrade e MSTC

ARCHIVOS

Panel de la propuesta: Descarga el panel (pdf)

Imagen resumen (ALTA):Descarga la imagen

MEMORIA

Na condição de arquitetos responsáveis pela concepção da arquitetura expositiva da 34ª Bienal de São Paulo – 2021 - e, ao mesmo tempo, na condição de colaboradores do MSTC - Movimento Sem Teto do Centro, organização de base popular baseada na área central da cidade de São Paulo - nos foi possível identificar uma potencial colaboração entre as duas organizações que nos pareceu oportuna e promissora. Assim, nos ocorreu propor à Fundação Bienal a parceira neste projeto: apoiar e doar parte do material utilizado na exposição, com o objetivo de se construir uma nova cobertura para o espaço de eventos da ocupação 9 de julho, onde o MSTC promove atividades esportivas, culturais, educacionais, gastronômicas, de assistência e de socialização. A Bienal de São Paulo: a arte no panorama dos grandes eventos A Bienal de arte de são Paulo, desde sua primeira edição, em 1951, assumiu o posto de maior evento da arte no Brasil. Ocupa, a cada dois anos, o edifício Pavilhão da Bienal, projeto monumental de Oscar Niemeyer, assentado no parque do Ibirapuera, no coração da Metrópole Paulistana. Estamos acostumados com a ideia de grandes eventos de arte, espalhados pelo mundo todo, como um fenômeno consagrado e que, via de regra, alcançam repercussão considerável. Movimentam significativos montantes financeiros e mobilizam reflexões transformadoras em suas passagens. Cabe, no entanto, questionar quem tem sido tocado e beneficiado com estes eventos e se este modelo não contribuiria para que grande parte da sociedade permaneça à margem desta experiência. Ao refletirmos sobre o papel da arte de modo mais abrangente, no cenário das sociedades contemporâneas, nos parece imprescindível que esta deve ser veiculada por eventos comprometidos com os novos arranjos sociais que estão se firmando e que assuma uma forma de atuação mais inclusiva e democrática. Assim nos parece imperativo que mobilizações desta importância, em um mundo desigual, saturado e exaurido como o nosso, deve assumir um compromisso que vá além da sua própria realização. A proposta inicial para a 34ª edição da Bienal de Arte de São Paulo, da forma como nos foi apresentada no início de nossa participação no projeto, embora buscasse a inserção de algumas vozes divergentes, normalmente excluídas, não contemplava a ideia de uma ação integral, que considerasse também a atuação da Fundação Bienal como agente comprometido com uma visão mais contemporânea. Assim esta proposta surge, principalmente, deste sentido de oportunidade: identificar o potencial latente para viabilizar um belo projeto, com impactos social, ambiental e econômico, mas, acima de tudo, apontar novos caminhos possíveis para velhas práticas. Oportunidade de apresentar estratégias conciliadoras, onde arte e moradia se unem de forma indissociável e onde sociedade civil organizada, setor privado e poder público juntam forças na construção de uma sociedade mais justa e mais bela.

¿PARA QUIÉN?

O MSTC Há anos, os movimentos de luta por moradia - organizações da sociedade civil de base popular - constituem-se em alternativa prática às pessoas que não tem acesso a uma moradia e que, consequentemente, vivenciam a situação de marginalidade a que são submetidos aqueles que não tem um teto ou um endereço formal. Tendo como principal ferramenta de luta a ocupação de edifícios vazios nas áreas centrais da cidade, os movimentos de moradia, a um só tempo, proporcionam uma oportunidade de inclusão social para esta população e resgatam a função social destas edificações. É neste contexto que se consolida o MSTC - Movimento Sem Teto do Centro - que tem como lema: moradia como prática de cidadania. Fundado em 2001, o movimento atua na organização de famílias sem teto que estão na luta por moradia digna, no centro da cidade de São Paulo. Trata-se de um movimento social organizado a partir de uma sofisticada rede, composta por famílias sem teto, imigrantes, refugiados, lideranças populares, artistas, chefs de cozinha, arquitetos, jornalistas, entre outros. Além de devidamente cadastrado nas instancias federal, estadual e municipal, o movimento ostenta diversas parcerias firmadas com o poder público em diversas atividades de prestação de serviços de interesse publico. Entre elas podemos citar CDHU e COHAB, além do Programa Minha Casa Minha Vida e Caixa Econômica Federal. A ocupação 9 de julho Ocupado pelo Movimento Sem Teto do Centro (MSTC) desde 2016, o antigo prédio do INSS, na Avenida 9 de Julho, é morada de 122 famílias e um centro cultural fervilhante da cidade. Localizada no centro de São Paulo, na Bela Vista, o prédio da Ocupação 9 de julho é um marco na luta por moradia social no Centro e um importante ponto cultural da cidade. O MSTC empreendeu esforços para a valorização do prédio, acondicionando os espaços às necessidades dos moradores, ao cumprimento da normativa vigente e também para cursos de formação em ofícios, promovendo autonomia via economia criativa, empreendedorismo e geração de renda. O MSTC realiza parcerias com instituições e coletivos artísticos, oferecendo atividades culturais, esportivas e educativas, além de acesso à saúde, em parcerias especiais com a UBS da região e instituições privadas, para crianças e adultos que moram na Ocupação. Texto de abertura na pagina oficial da Ocupação 9 de julho. (https://www.movimentosemtetodocentro.com.br/ocupacao-nove-de-julho) Em suas dependências, além das 122 unidades de moradia, a ocupação 9 de julho conta com uma serie de espaços destinados a abrigar atividades complementares à moradia. São elas: sala multiuso, brechó, marcenaria, cozinha coletiva, pequeno refeitório, sala de convivência, biblioteca, brinquedoteca e galeria de arte (inaugurada em outubro de 2018 com a exposição Esquizofrenia da Forma e do Êxtase, que consiste de seis trabalhos de Nelson Felix). Além dos espaços programáticos citados acima, a ocupação dispõe de um espaço de eventos, onde se desenrolam regularmente atividades abertas ao público em geral, como os almoços de domingo, oficinas, ensaios, reuniões, palestras, rodas de conversa, sessões de cinema, shows, aulas públicas, além das atividades esportivas e de recreação para crianças e adolescentes moradores da ocupação e do entorno. 34ª Bienal de Arte de São Paulo 4 de setembro a 5 de dezembro de 2021 A 34ª Bienal de Arte de São Paulo – Faz escuro mas eu canto - pretende reivindicar o direito à complexidade e à opacidade, tanto das expressões da arte e da cultura quanto das próprias identidades de sujeitos e grupos sociais. O ponto focal em que se articulam as múltiplas situações de encontro entre obras de arte e público que integram o projeto é a mostra coletiva que ocupa todo o Pavilhão da Bienal. Curada por Jacopo Crivelli Visconti, Paulo Miyada, Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Estévez, a mostra reconhece a urgência dos problemas que desafiam a vida no mundo atual, enquanto reivindica a necessidade da arte como um campo de encontro, resistência, ruptura e transformação. Funcionando como um primeiro enunciado, mais que como um tema, o título da 34ª Bienal, Faz escuro mas eu canto, é um verso do poeta amazonense Thiago de Mello, publicado em 1965. Por meio desse verso, reconhecemos a urgência dos problemas que desafiam a vida no mundo atual, enquanto reivindicamos a necessidade da arte como um campo de resistência, ruptura e transformação. A arquitetura expositiva proposta por nós, busca assimilar os conceitos trazidos pela curadoria, proporcionando espaços, a um só tempo diversificados e fluidos, na medida em que organiza ambientes menores dentro do espaço monumental do pavilhão da bienal, capazes de acolher experiências e narrativas distintas e até divergentes e, ao mesmo tempo, propicia um dialogo entre estas por meio da fluidez espacial conseguida por meio de passagens, frestas e dos fechamentos com diversos matizes de transparência e translucidez.

¿POR QUÉ?

O projeto: espaço de eventos para a ocupação 9 de julho Uma parceria entre Fundação Bienal e MSTC, com apoio da Prefeitura de São Paulo A estrutura concebida para a exposição da 34ª Bienal, composta por elementos estruturais leves e modulares, tem natural vocação para a reutilização, podendo facilmente ser desmontada, transportada e remontada em outro local, sendo que sua vida útil supera em muito o período em que permanecerá em exposição. No outro lado desta potencial colaboração está a ocupação 9 de julho, que já há alguns anos, busca uma solução para seu espaço de eventos, hoje exposto às intempéries. A ocupação é reconhecida por sua qualidade no acolhimento a pessoas sem teto na cidade de são Paulo, bem como por seus eventos, abertos ao público externo – alguns com apoio da prefeitura de são Paulo - que ocorrem, justamente, neste espaço. O espaço de eventos encontra-se em ótimas condições de uso, além disso se converteu em uma espécie de galeria a céu aberto: está todo trabalhado com painéis de grafite, que, com o passar do tempo, adquiriram também valor simbólico e afetivo: são muito apreciados pelos moradores e frequentadores. No entanto, este espaço se ressente da falta de uma cobertura para que as atividades que se desenrolam ali possam contar com as condições adequadas. A proposta para esta cobertura, portanto, visa responder a uma demanda pragmática – proteção da chuva e da incidência excessiva dos raios solares – na mesma medida em que visa responder a um anseio coletivo de acolhimento. A sensação de acolhimento é um aspecto extremamente relevante quando estamos falando de uma comunidade que viveu e vive, cotidianamente, a experiência da exclusão e, por isso, é tomado aqui como componente essencial da proposta. Partindo destas premissas concebemos uma estrutura leve, sem fechamentos laterais, que deve inserir-se na paisagem local, com a maior delicadeza possível, tratando de preservar a atmosfera aberta e ventilada que caracteriza o lugar hoje em dia. Esta estrutura deverá pairar sobre as paredes existentes de tal maneira que componha em conjunto com estas, um espaço permeável e acessível, tanto para as pessoas que o frequentam quanto para a vegetação e a paisagem circundante como um todo. A utilização dos materiais provenientes da arquitetura expositiva da 34ª Bienal de São Paulo contribui para a valorização desta atmosfera, seja por sua origem, que remete à arte e à cultura, seja pelo conforto que se sente ao ser acolhido por uma generosidade alheia, seja pela natureza dos materiais utilizados: a textura da madeira clara e a luz filtrada pelas chapas translúcidas proporcionarão uma atmosfera acolhedora ao ambiente. Responsabilidades A Fundação Bienal, ao destinar os componentes utilizados em sua arquitetura de exposições para a construção da cobertura do espaço de eventos da ocupação 9 de julho, contribuirá de forma determinante para a viabilidade de uma ação de reconhecido impacto social. Além disto, ao destinar o material para um reúso de longa duração, acabará por ressignificar a própria arquitetura que, adquirindo um novo ciclo de vida, mudará seu status de descartável para um desempenho mais sustentável. A responsabilidade da Bienal se encerra na doação e destinação do material. A partir do momento em que o material estiver em posse do MSTC, a responsabilidade pela utilização do mesmo passa a ser, exclusivamente, do Movimento. À Andrade Morettin Arquitetos caberá a responsabilidade pela elaboração dos projetos necessários para a construção da nova cobertura, sem a cobrança de honorários referentes a este serviço. O MSTC será responsável pela execução da cobertura e por sua correta manutenção pelo tempo em que esta existir. Também será de responsabilidade do Movimento a aquisição dos componentes adicionais (não provenientes da arquitetura expositiva da Bienal) tais como parafusos, calhas, vergalhões, areia e cimento, etc.

INDICADORES DE IMPACTO DE SOCIEDAD ["Gestión comunitaria","Equidad espacial"]

INDICADORES DE IMPACTO DE ECONOMIA ["Cooperación publico-privada","Economía circular"]

INDICADORES DE IMPACTO DE MEDIO AMBIENTE ["Reutilización y reciclaje"]

INDICADORES DE IMPACTO TRANSVERSALES ["Ninguno"]

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