![]() |
||||
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
CSM215
Casa em Santa Maria da Feira
Emplazamiento: Rua Nossa Senhora da Saúde, Quintã, Fornos, Santa Maria da Feira - Portugal
Fecha de finalización:15-12-2025
Tipo de obra: Relación con la vegetación
DATOS DEL EQUIPO
Autor/es: João Branco, Paula del Río Huesa
Promotor/es, cliente/es: Margarida Pinho
Equipos técnicos: Colaboradores: Gerson Rei, Marco Silva
Empresa constructora:
Créditos fotográficos: Frederico Martinho, do mal o menos
ARCHIVOS
Panel de la propuesta: Descarga el panel (pdf)
MEMORIA
O conjunto implanta-se num terreno murado de pendente suave, parte de uma propriedade de vários hectares da qual era a dependência produtiva. O terreno está densamente arborizado com espécies locais de grande porte — castanheiros, pinheiros mansos, entre outras — que constituem o primeiro filtro de sombreamento da casa e definem o carácter e o microclima do lugar. O edifício principal dispõe-se perpendicularmente à pendente, encaixado no terreno: visto de cima, a partir do acesso, a cobertura alongada é a sua presença dominante, pousando sobre o solo. Só a aproximação ao conjunto revela um sistema de edifícios organizados em torno de um pátio. Esse sistema era um organismo agrícola completo — vacaria, armazém de alfaias, espigueiro e poço — cada elemento com uma função precisa no metabolismo da produção de leite. A vacaria dispunha-se em linha, com a orientação e escala que a sua lógica produtiva exigia, encaixado no terreno, beneficiando-se da sua inércia. Elevado do chão, todo o volume da cobertura era usado como sequeiro, uma estrutura de madeira aérea protegida por profundos beirados, ventilada naturalmente por um ripado de madeira. Um espigueiro delimita o pátio a sul, conferindo-lhe escala, protecção e conforto espacial. A intervenção preserva a organização espacial do conjunto e a sua relação com a topografia como princípios orientadores. O programa distribui-se segundo as estruturas existentes: a vacaria acolhe os espaços sociais, mantendo a organização linear e a escala originais; a casa do caseiro contém os quartos; o armazém acolhe a entrada, a circulação, as áreas de serviço e a garagem. Os muros de granito, bem como a sua condição estrutural, são preservadas. Sobre eles reconstrói-se uma estrutura leve de madeira — pavimentos, fachadas e cobertura — seguindo ou adaptando o desenho da construção original. O sistema estabelece uma relação entre uma base mineral de elevada massa térmica e uma estrutura superior leve e isolada. O ripado ventilado foi reconstituído, mantendo a circulação de ar no desvão e filtrando a radiação directa para evitar sobreaquecimento. Para resolver problemas de humidade na fachada norte, introduziu-se um muro de suporte a cerca de um metro do edifício, criando um corredor exterior que separa a construção do terreno — um espaço protegido, de ar e sombra, complementar ao pátio central, mais amplo e exposto ao sol. O poço capta a água subterrânea que se infiltra naturalmente no terreno e abastece a rega dos jardins na proximidade da casa. O espigueiro foi devolvido à sua forma original, com a eliminação de acrescentos em betão. As estratégias ambientais constroem-se sobre soluções já presentes na arquitectura agrícola: beirais profundos para protecção solar, cobertura ventilada para circulação de ar, paredes de alvenaria de alta inércia e encaixe topográfico para estabilidade e regulação térmica. Estes princípios foram mantidos e reforçados com isolamento de cobertura e portadas exteriores de madeira para controlo solar. Os materiais — granito, madeira e argamassas de cal — são duráveis, de baixa manutenção e de conhecimento construtivo local. O longo período de obra permitiu a estabilização dos materiais e a integração progressiva do conjunto na sua envolvente.










