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ACA126

Mirante de São Jorge

Emplazamiento: São Jorge, Alto Paraíso de Goiás - GO - Brasil

Fecha de finalización:01-12-2025

Tipo de obra: Relación con la vegetación

DATOS DEL EQUIPO

Autor/es: Alan Chu Silveira

Promotor/es, cliente/es: Lucas Batista Mirante São Jorge LTDA.

Equipos técnicos: Cristina Chu - Arquiteta e Urbanista Ana Clara Cavalcante - Arquiteta e Urbanista Bruno Ottoni - Arquiteto e Urbanista Pedro Reis - Estágiario de Arquitetura e Urbanismo

Empresa constructora: Umbu Engenharia e Meio Ambiente

Créditos fotográficos: Larissa Sad

ARCHIVOS

Panel de la propuesta: Descarga el panel (pdf)

MEMORIA

A Arquitetura nasce da necessidade de estabelecer uma relação entre o ser humano e o mundo que o cerca. Antes de ser abrigo, é uma forma de construir um lugar: um espaço capaz de orientar o corpo, organizar a experiência e tornar perceptíveis relações que muitas vezes permanecem ocultas no cotidiano. Foi dessa compreensão que surgiu o Mirante de São Jorge. Localizado na Chapada dos Veadeiros, próximo ao Parque Nacional, em uma das regiões ambientalmente mais relevantes do Cerrado brasileiro, o projeto parte do reconhecimento de um lugar que já existia na memória coletiva. O topo da colina já era um ponto de encontro para contemplar o pôr do sol sobre o horizonte das montanhas. O projeto reconhece essa vocação e cria condições para que essa experiencia seja vivida de forma mais intensa. A implantação parte do princípio da mínima transformação da paisagem, ocupando uma clareira pre-existente, preservando a vegetação nativa e evitando movimentações de terra. Uma estrutura elevada acompanha a topografia natural por meio de palafitas, permitindo que o terreno mantenha sua conformação original, seus processos de drenagem e a continuidade vegetal. O Mirante organiza-se como uma fita circular continua de oito metros de largura, com diâmetro total de 57 metros, que delimita um grande vazio central. Essa geometria não procura afirmar um objeto isolado na paisagem, mas construir um lugar. A forma circular inspira-se em geometrias que, ao longo da história, organizaram espaços de encontro, contemplação e orientação. Mais do que um símbolo, ela representa uma estrutura capaz de aproximar as pessoas entre si e de reconectá-las aos ritmos da natureza. Em um tempo marcado pela aceleração e pela dispersão, o projeto propõe uma experiência oposta: presença e atenção. O vazio central constitui o verdadeiro coração do projeto. É nele que o céu se torna cobertura, que a passagem do tempo se torna visível e que o ciclo cotidiano do sol ganha protagonismo. Ao entardecer, visitantes compartilham o mesmo horizonte; à noite, o espaço acolhe encontros em torno do fogo. A arquitetura não determina esses acontecimentos, apenas oferece as condições para que eles ocorram. A cobertura curva de madeira confere abrigo, conforto e escala humana sem romper a continuidade entre interior e exterior. Árvores existentes atravessam naturalmente a arquitetura, dissolvendo os limites entre o construído e o território. A vegetação deixa de ser elemento ornamental para tornar-se parte constitutiva da experiência espacial. Na Chapada dos Veadeiros — território reconhecido como berço das águas e um dos mais importantes patrimônios ecológicos do país — essa experiência adquire um significado ainda mais profundo. O projeto compreende que a preservação da paisagem depende da proteção de seus ecossistemas, mas também da construção de vínculos culturais e afetivos entre as pessoas e o lugar. Mais do que oferecer infraestrutura de ecoturismo para visitantes, o Mirante procura fortalecer essa relação, entendendo a arquitetura como um instrumento capaz de aproximar as pessoas do território e contribuir para sua preservação.

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