Portugal - Cinema Ideal

XVI
Bienal
Española de
Arquitectura
y Urbanismo

Somos la arquitectura

que vivimos


Me-dio Pla-zo

XII
Bienal
Iberoamericana
de Arquitectura
y Urbanismo

  

Habitar al margen


México 2022

17ª
Bienal de
Arquitectura
de Venecia
Pabellón Español

 

Uncertainty


Inauguración

Cinema Ideal

 




 

Nombre de la propuesta

Cinema Ideal

Emplazamiento

Lisboa

País

Portugal

Resumen

O Cinema Ideal foi a primeira sala de cinema em Portugal. Situado no coração de Lisboa, entre a rua do Loreto e a rua da Horta Seca, o cinema ocupa o piso térreo de dois edifícios construídos em épocas diferentes - séculos XIX e XX -, tendo sido transformado por inúmeras intervenções e tornando-se um espaço degradado e arquitectonicamente desqualificado. Durante as últimas três décadas dedicou-se exclusivamente à exibição de filmes pornográficos. O nosso projecto assentou em três princípios fundamentais: 1. Recuperar a natureza urbana original do Cinema Ideal, oposta ao carácter da quase totalidade dos cinemas de hoje, em Lisboa, localizados em em centros comerciais. 2. Trabalhar sobre os vestígios das intervenções realizadas ao longo do tempo, conferindo-lhes uma nova unidade. 3. Dar uma identidade arquitectónica à sala de cinema: uma “boîte à miracles” em vez de uma “black box” indistinta. Reconfigurou-se portanto a entrada, levando-se a pedra lioz das ruas de Lisboa para o espaço interior. No foyer, de dimensões exíguas, as paredes prolongam a ondulação assimétrica da sala de cinema e um triedro em espelho traz o reflexo da luz e do movimento da rua para o interior. Um pilar existente transformou-se num piloti iluminado para ser coberto permanentemente por cartazes, e os pontos recortados de luz artificial no tecto definem diferentes âmbitos de claro-escuro. Na sala de cinema, os elementos mais valiosos que restavam foram igualmente integrados: a organização do espaço em plateia e balcão, a forma das paredes e a sua textura escadeada. As geometrias do pavimento e do tecto reconfiguraram-se para oferecer condições ideais acústicas e de visibilidade do ecrã, enquanto a estrutura reticulada leve das cadeiras pousa delicadamente sobre o pavimento, ajudando a clarificar as características espaciais da sala. As portas entre a sala e a Rua da Horta Seca permitem que, no fim das sessões, o público saia directamente da sala para a rua – da escuridão do cinema para a luz da cidade. O estuque das paredes, os painéis de cimento e fibras de madeira - tudo pintado numa única cor, nocturna - e a cortiça natural que reveste os pavimentos são os únicos materiais, em conjunto com os poucos elementos feitos de espelho ou pedra. Juntamente com a qualidade da programação levada a cabo pelo promotor do cinema, o projecto é um gesto de resistência à crise, não só económica e social que Portugal atravessa, mas também cultural. Neste sentido, a riqueza do Cinema Ideal não depende da ostentação material, historicamente associada à arquitectura dos cinemas. Depende sim das condições acústicas e de visibilidade da sala de projecção, da utilização de um conjunto mínimo de materiais, da organização, da forma, da cor e da iluminação dos espaços. A cada passo, somos lembrados das palavras - mais oportunas do que nunca - tanto de Vitor Figueiredo, o arquitecto, como de Jean-Marie Straub, o cineasta: "Tirem-nos tudo, menos o luxo!" José Neves

Autor/autores

José Neves

Colaboradores

André Matos, Fernando Freire, Rui Sousa Pinto, Vasco Melo, João Pernão, Maria Capelo

Fechas de la propuesta

  • Fecha de proyecto:2014-04-03
  • Fecha de comienzo de obra:2014-05-05
  • Fecha de fin de obra:2014-08-28

Archivos